Como é que o “arame” dos aparelhos ortodônticos não enferruja?

Já ouvi muitas vezes esta pergunta, feita por pessoas que usam aparelho ortodôntico fixo e acham incrível usar um fio de “ferro” na boca e ele não enferrujar.

O fato é que este fio não é feito de ferro. As pessoas geralmente têm este senso comum de que todo metal é ferro, mas não é. Ferro é apenas um tipo de metal, bastante utilizado por todos, é verdade, mas não é o único. Este fio é feito de uma liga metálica, chamada nitinol. Se você usa este tipo de aparelho, dê uma olhada na sua ficha de acompanhamento; provavelmente você verá muitas anotações onde estará escrito “NiTi” acompanhado de um número. Este número é relativo à espessura do fio, e o termo “NiTi” descreve sua composição. Apesar do nome terminar em “ol”, o que pode dar a impressão de se tratar de um álcool (lembrando da linda Química Orgânica, substâncias que possuem nomenclatura terminada em “-ol” são álcoóis), trata-se de uma liga metálica, formada por níquel e titânio. A proporção de níquel nesta liga varia aproximadamente entre 50 e 60%.

Esta liga é usada nos tratamentos ortodônticos por três fatores importantes: pelo fator mecânico, pelas características químicas e pela sua biocompatibilidade.

O fator mecânico que leva esta liga a ser usada para este fim é que ela tem uma propriedade chamada “memória de forma”. Esta propriedade está presente também em outras ligas metálicas, e permite que o metal volte ao seu formato inicial mesmo sofrendo deformações. Se você usa aparelho ortodôntico, e já sofreu (ou vai sofrer) com uma “sobra” do fio que foi deixada no final da banda, ou se teve um bráquete descolado que tenha deixado uma pontinha deste fio solto, deve ter percebido que ele é bastante flexível, e mesmo que você mexa ou entorte, ele volta para a posição inicial. Isto é a “memória de forma”. Ela é necessária para o sucesso do tratamento porque são os dentes que devem se adaptar ao formato do arco metálico, e não o contrário.

O fator químico envolve a grande resistência à corrosão, pois, como o aparelho permanece o tempo todo em contato com a saliva, com os alimentos, e mesmo com o ar, enfim, como ele está sempre em contato com uma grande variedade de substâncias, o material utilizado deve ser bastante inerte e resistente, sem sofrer reações químicas quando em contato com estas mais variadas substâncias.

A biocompatibilidade – ou seja, a compatibilidade da liga com os tecidos biológicos – também é um fator importante para o uso do nitinol nos tratamentos ortodônticos. Por ser um material inerte, ele não libera substâncias tóxicas no organismo, e é bem aceito pelo organismo, tanto que esta liga é usada também em próteses ósseas, assim como a platina – com a vantagem de ser muito mais barata que a platina.

Se você já usa aparelho (como eu e o Davidson), da próxima vez que for ao dentista realizar os ajustes e “trocar a borrachinha”, lembre-se da ciência que existe por trás da expectativa de um sorriso bonito e retinho. Se ainda não usa, mas vai usar, esta ciência também fará parte da sua vida!

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4 respostas para Como é que o “arame” dos aparelhos ortodônticos não enferruja?

  1. Jeferson Bruno Guilherme disse:

    Gostei Parabéns pelo post :)

  2. Mi disse:

    Legal rs. Quando eu coloquei o aparelho, fiquei encostando a lingua na banda pra ver se tinha gosto de ferro e realmente não tem gosto algum, tirando a parte de que as vezes o ‘ferrinho’ machuca a bochecha eu acho super legal usar aparelho.

  3. Lélis disse:

    Davidson bom dia.
    Vou visitar meu filho pela primeira vez no presidio, e tem um detector de metais que voce tem que sentar, eu uso aparelho ortodontico. Esses dector de metal eles veem os parelhos como metal, ou seja a probabilidade de apitar??

    • Davidson Lima disse:

      Olá, Lélis. O artigo foi uma contribuição da Cristiane Colodel (Nina M) ao site, e não foi redigido por mim, diga-se de passagem. No entanto, posso responder à sua pergunta.

      Se o detector é de metal, sim, ele irá apitar para metais. No site da SONDEQ, uma empresa de São Paulo, no link http://www.sondeq.com.br/pt/nd_detector.php, acessado em 02/09/13, é informado da existência de detectores de qualquer metal, bem como os que apenas detectam materiais contendo ferro.

      No entanto, é natural que esses aparelhos tenham a sensibilidade afetada pelo volume do objeto a ser encontrado. Ou seja, quanto menor o objeto, mais difícil é a sua detecção, pela lógica de que o funcionamento geral de um detector beira ao uso de uma bobina como transmissora e receptora, como o afirmado em http://ciencia.hsw.uol.com.br/detectores-de-metal2.htm, acessado em 02/09/13, e em http://ciencia.hsw.uol.com.br/detectores-de-metal3.htm, acessado em 02/09/13, ou então campos magnéticos de objetos interferindo com frequências de onda geradas por bobinas no detector, tal como em http://ciencia.hsw.uol.com.br/detectores-de-metal4.htm, acessado em 02/09/13. Desse modo, sendo um objeto minúsculo, o mesmo gerará um pequeno campo magnético se comparado ao de uma moeda, por exemplo.

      Portanto, existe sim a chance de um aparelho ortodôntico fazer um detector “apitar”, ainda que ligeiramente imperceptível. Mesmo assim, não se preocupe: uma vez justificada a origem da pulsação, quer seja um aparelho ortodôntico, quer seja um marcapasso, quer seja um implante de titânio, não haverá problema em sua entrada.

      Boa visita.

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