As leis científicas e o senso comum

Olá a todos! Apesar de o blog de chamar “Química do Son”, eu estou aqui dando minha pequena contribuição e estou muito contente pelo convite! Afinal, a Química é do Son, da Cris, da Maria, do Henrique, da Aline, do João… na verdade, ela é de todos, pois desde a hora em que se escova os dentes pra dar adeus àquele bafo de onça logo depois de acordar, até o momento em que tomamos aquele maravilhoso banho relaxante, com sabonete, xampu e condicionador, um dia inteiro de passou e muita química prestou serviço na nossa vida. Pena que nem sempre se dá muita atenção à isso…

Pois bem, para estrear minha participação, eu gostaria de falar sobre a vulgarização de algumas expressões e leis científicas. Existem certas ideias (Olá, reforma ortográfica! Ideia agora é sem acento, tá sabendo?) científicas que estão sempre por aí passeando no palavreado de muita gente, mas totalmente fora do seu contexto e do seu significado. Vou usar dois exemplos bem comuns: a Lei de Lavoisier e a Terceira Lei de Newton.

A Lei de Lavoisier, conhecida também como Lei de Conservação das Massas, é cientificamente enunciada da seguinte maneira: “durante uma transformação química não é mensurável o ganho ou a perda de massa” (RUSSELL, Química Geral vol. 1). Porém, é comum ouvirmos esta mesma lei sedo enunciada como “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Talvez não fosse uma maneira tão errônea de se referir a ela, se o contexto e o significado não fossem alterados quase sempre. É comum se deparar com esta frase dita por pessoas que reaproveitam materiais recicláveis para fazer artesanato, ou mesmo por programas de culinária que dão dicas de receitas que reaproveitam sobras de alimentos. Não deixa de ser verdade, afinal, tanto o material reciclável quanto a sobra de comida se transformou. Mas em nenhuma das situações o conceito original de Lavoisier se mostrou presente.

A 3ª Lei de Newton, conhecida também como Lei da Ação e Reação, tem, no meio científico, o seguinte enunciado: “Sempre que um objeto exerce uma força sobre um outro objeto, este exerce uma força igual e oposta sobre o primeiro.” (HEWITT, Física Conceitual). Isto significa que, quando você se senta em uma cadeira, por exemplo, a cadeira te acomoda sem ceder porque, enquanto você exerce a força do seu peso sobre ela, ela também exerce uma força com a mesma intensidade contra o seu bumbum. Porém, vulgarmente esta lei é enunciada como “a toda ação corresponde a uma reação”, e normalmente ela é associada com aquela situação chata em que, numa sala de aula, o colega de trás belisca o sujeito que está sentado na sua frente, e eis que este responde deixando a marca da sua mão na cara do primeiro. Lamentável. Mas com certeza é mais lamentável ainda a justificativa dita como se fosse a coisa mais culta a se dizer: “Ora, professora, ‘a toda ação corresponde uma reação’, ele me beliscou, eu só revidei!”. E isso sem contar outras tantas situações em que a frase é usada e que fariam Newton revirar no seu túmulo.

Enfim, acho que precisamos conhecer mais e melhor nosso vocabulário científico antes de sair por aí jogando palavras ao vento. Pois, por mais incrível que pareça, o conceito distorcido é sempre o mais conhecido e difundido…

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