Melanina, a molécula do preconceito.

  Todos, neste imenso país, temos uma cor de pele diferente. Pode ser uma pequena variação de tom, um pouquinho do efeito do sol, mas dificilmente vemos pessoas com um tom de pele idêntico. E quem é responsável por dar cor à nossa pele? É ela, a melanina.

   A melanina é um pigmento biológico, e é uma das substâncias resultantes do metabolismo da tirosina, sobre a qual falei no post anterior, sobre a fenilcetonúria. Na verdade, não se trata de uma única substância, mas de um grupo de compostos resultantes da polimerização da tirosina – sim, polímero não é só plástico! Existem diversos polímeros que têm papel biológico. E ela também não é responsável apenas pela cor da pele, mas também dos cabelos e dos pelos em geral.

   Apesar de o termo “melanina” ter origens do grego, significando “preto”, a melanina não confere apenas a pigmentação escura. Existem três classes de melanina: a eumelanina, que varia de tom castanho ao preto; a feomelanina, que varia do amarelo ao vermelho; e as alomelaninas, que tem coloração negra, mas ocorre somente em vegetais. Naturalmente, pessoas negras ou morenas possuem maiores quantidades de eumelanina, enquanto as loiras e ruivas possuem maior quantidade de  feomelanina.

   A melanina tem função fotoprotetora, ou seja, ela protege nosso organismo contra a ação da luz e da radiação. É por isso que, quando tomamos sol, ficamos bronzeados; o corpo entende a ação da radiação solar como uma ameaça, e o cérebro manda ordens (as “ordens” do cérebro são impulsos elétricos que contém informações específicas) para que a área atingida produza mais melanina, para que esta absorva a radiação e não permita que outras células recebam esta radiação solar, o que pode causar mutações e desenvolvimento de câncer de pele.

   Mas já parou para pensar no quanto a melanina já causou sofrimento? Eu explico melhor. Durante séculos escravos negros foram retirados de sua terra para serem vendidos como mercadorias, mão-de-obra barata, quase gratuita. Isso porque eram escuros, e muitas pessoas acreditavam que a cor escura significava uma pele “suja”, a melanina era tida como uma “sujeira” da pele. Portanto, se eram “sujos”, “impuros”, eram também inferiores. Mas mesmo nos dias de hoje, depois de 124 anos do fim da escravidão no Brasil, e não somente com os negros, a cor da pele ou dos cabelos ainda gera preconceito. Se é negro, só serve como ícone sexual ou trabalhador braçal, além de ser bandido; se é ruivo e sardento, é o alvo das gargalhadas, foguinho, fósforo, enferrujado; se é loira, é burra, não têm cérebro, e se tiver peito, também só serve de adorno para andar ao lado de homens ricos em carros importados; se é branquinho, é branquelo, transparente, polaco; e se for albino então, é um monstro, é esquisito. Enfim, não importa se é demais ou de menos: parece que qualquer quantidade de melanina vai resultar em piadinhas, apelidos e comentários pejorativos.

   Vamos pôr uma coisa na cabeça: a quantidade de melanina não importa, mas a quantidade de respeito deve ser sempre grande!

Esse post foi publicado em ▪ Curiosidades Químicas, Química: e marcado , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Melanina, a molécula do preconceito.

  1. Davidson Lima disse:

    Muito bom o artigo, Cris!

    Também não compreendo como algo tão simples pôde desencadear tanta segregação em vários povos, com seus reflexos sendo perceptíveis na África, que pelo uso desgastado do nome transformou-se em um pseudopaís de negros, pobreza, fome, sede e Aids. Uma substância útil ao tecido epitelial dos que originalmente viveram nesse continente, eis o que os idiotas tomam como base para críticas precipitadas quanto ao caráter deste grupo. Lamentável.

    Ainda me pergunto, por quê e para quê enxergar uma barreira nas diferenças étnicas, próprias do ambiente de cada um. O pior é a inserção da ideia em nosso inconsciente e a propagação da mesma nas gerações posteriores uma vez que, se a cultura faz uso de elementos históricos, transforma-se em mecanismo de continuidade. O que poderia interromper esse ciclo? Bom senso. O que já o está interrompendo? Sentimento de humanidade.

    Somos iguais na diferença, não sei de onde ouvi essa frase. Faz total sentido. Olha que só estamos falando de pele/cabelo, imagine só tentar separar as pessoas por deficiência, capacidade cognitiva, altura, peso, etc. ? Algo inútil. Vamos buscar a paz interior e no convívio diário. A vida é só uma, temos de vivê-la sem brigas desnecessárias.

    • E não é só o negro, não. Veja os outros exemplos, as piadinhas maldosas sobre as loiras, e principalmente os albinos, que até mesmo em muitos locais na África, que já sofreu e sofre tanto pela discriminação de cor, são perseguidos e mortos. Ou mesmo aqui, onde são tratados como se fossem monstros, aberrações…

  2. Camila disse:

    nossa muito bom, me ajudou bastante não tenho como agradeçer queem fez😀

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s